"Na escola aprendi superficialmente o que era menstruação. Como eu era muito nova, não fazia a mínima ideia do que era e quando soube não liguei muito, mesmo sendo necessário aprender sobre, já que sou mulher e eventualmente aconteceria comigo. Até acontecer. Primeiro eu achei estranho, falei com a minha mãe o que era aquilo que estava na minha roupa e ela começou a me parabenizar e me abraçar sem eu entender nada. Foi minha primeira menstruação. Ela foi bem tardia na realidade por causa da minha puberdade precoce. As minhas amigas já tinham menstruado, mas a gente nunca comentava muito sobre isso e eu sempre achei que fosse por vergonha.

Na minha visão aquilo só trazia problemas, você parava de crescer, iria ter cólicas e ia se sentir incomodada por dias. Quando eu tive a minha primeira menstruação eu lembro que eu fiquei muito triste, muito triste mesmo. Eu não queria que aquilo acontecesse por causa que a minha puberdade precoce levava a um crescimento retardado então fazíamos de tudo para que o meu ciclo menstrual não ocorresse, mas aconteceu. Eu fiquei mais ou menos oito dias com aquilo, eu já estava apavorada por menstruar, agora imagina você, ficar assim por praticamente uma semana.

Eu comecei a pesquisar mais sobre e acabei descobrindo várias coisas não só sobre a menstruação em si mas como ela tem um símbolo dentre de diferentes sociedades, em algumas significa que você se torna uma mulher, forte, que não é mais criança, em outras significa que você é impura, suja.

Nunca tive medo de que eu não de não ter absorvente, remédios ou que alguém percebesse que estou menstruada. Imagino que seja pelas mulheres ao meu entorno, estas conversam abertamente sobre o assunto, não só sobre menstruação mas como ela afeta nossas vidas e como as vezes pode nos atrapalhar. Como pode ser algo lindo mesmo que seja só um sangue correndo dentre suas pernas.

Percebi que em minha volta existiam muitos amigos homens que acreditavam que cólicas menstruais eram “frescura”. A gente tenta ao máximo explicar mas não adianta nada se a pessoa não se coloca no lugar do outro, mas também tenho amigos homens que são maravilhosos e empáticos que viam quando eu estava mal, por causa dos hormônios e que se dispunham a ajudar mesmo quando eu não pedia.

Acredito que precisamos conversar sobre a menstruação e qual a dimensão que ela apresenta já que é ela quem dá a vida."

A.C.F, 16 anos, estudante, São Paulo, Brasil

 
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