Pobreza Menstrual caracteriza a dificuldade e a falta ao acesso à água, ao saneamento básico, às instalações sanitárias, aos lugares corretos para descarte de resíduos e aos itens de higiene pessoal, básica e menstrual por pessoas que menstruam e encontram-se em situação de vulnerabilidade. 

O termo pobreza menstrual descreve a condição indigna, vivida por muitas pessoas durante o período menstrual. A falta de artifícios necessários impossibilita a higiene correta e digna durante a menstruação, situação fisiológica e natural do corpo biologicamente humano feminino. 

Na tentativa de suprir a carência da higiene menstrual de qualidade e correta, pessoas que menstruam passam a utilizar materiais que estão a sua disposição como: jornais, papelões, miolo de pão, pedaços de pano, sacolas plásticas, folhas secas, areia, itens improvisados para coletar sangue menstrual. 
Os meios de gerenciamento não higiênicos e muito inconvenientes, são um risco para a saúde das pessoas que menstruam, podendo ocasionar graves infecções, além disto, a falta faz com que pessoas que menstruam em idade escolar, abandonem os estudos, bem como pessoas em fase adulta tenham dificuldade para trabalhar durante o período menstrual, as possibilidades de desenvolvimento destas pessoas são diminuídas. 

Os fatores econômicos, sociais, culturais e políticos estão intrinsecamente ligados e são contribuintes para o agravamento do problema. 
No Brasil, o absorvente ainda não é considerado um produto de higiene básica, ainda são encontrados na categoria dos cométicos, ou seja, é praticamente considerado um item de LUXO. Segundo a receita federal no país é cobrado um imposto próximo a 27,25% (% tributos sem preço, somando-se ICMS+IPI+PIS+COFINS), tornando-o um produto caro, pouco acessível para as pessoas de baixa renda, assim a higiene menstrual é praticamente um privilégio para quem menstrua.

A Organização das Nações Unidas (ONU) reconhece que o direito das mulheres à higiene menstrual é uma questão de saúde pública mundial e mais do que isto faz parte dos direitos humanos. 

Muito provavelmente você leitor (a) não conhecia o termo pobreza menstrual, o problema em si. 
Infelizmente as pessoas que passam por está situação são em sua maioria invisíveis, não sabemos da existência delas. 
Elas eram invisíveis para você, não eram?

 


  1. TABELA DE PREÇOS E TRIBUTOS SOBRE PRODUTOS E SERVIÇOS ESSENCIAIS. 2020. Disponível em: http://www.receita.fazenda.gov.br/publico/EducacaoFiscal/PrimeiroSeminario/22CARGATRIBUTARIAPRODUTOSDECONSUMOPOPULAR.pdf. Acesso em: 01 maio 2020.

  2. OPAS Brasil. Sistemas frágeis e lacunas de financiamento comprometem água potável e saneamento nos países mais pobres do mundo. Disponível em: https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_joomlabook&view=topic&id=337. Acesso em: 01 maio 2020.

  3. BRASIL. Agência IBGE. . Abandono escolar é oito vezes maior entre jovens de famílias mais pobres. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/25883-abandono-escolar-e-oito-vezes-maior-entre-jovens-de-familias-mais-pobres. Acesso em: 01 maio 2020.

  4. UNITED NATIONS HUMAN RIGHTS. Every woman’s right to water, sanitation and hygiene. Disponível em: https://www.ohchr.org/EN/NewsEvents/Pages/Everywomansrighttowatersanitationandhygiene.aspx. Acesso em: 01 maio 2020.

  5. CARTA CAPITAL (Brasil). Escócia será o primeiro país a distribuir absorventes menstruais gratuitamente. 2020. Https://www.cartacapital.com.br/mundo/escocia-sera-o-primeiro-pais-a-distribuir-absorventes-menstruais-gratuitamente/. Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/mundo/escocia-sera-o-primeiro-pais-a-distribuir-absorventes-menstruais-gratuitamente/. Acesso em: 01 maio 2020.